Renault Fluence Z.E.: Aposta Inteligente!

Renault Fluence Z.E.: Aposta Inteligente!

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Este artigo de hoje vai ser um pouco diferente do normal aqui no PressAUTO.net, trata-se de um texto de teor menos institucional, escrito na primeira pessoa e sustentado em sete dias de experiência real, que, fundamentalmente, desmistifica algumas das dúvidas em torno do automóvel eléctrico. Não haja dúvidas: como primeiro carro de família e viagens diárias na ordem dos 100 quilómetros, o Renault Fluence Z.E. é a solução perfeita e as razões são várias, conforme se pode depreender das linhas que se seguem.

Não sendo céptico em relação aos automóveis eléctricos, também estava longe de ser um acérrimo defensor da tecnologia, mas ao fim de uma semana admito que estou rendido… «Num diesel gasta-se 9 euros, no mínimo, para percorrer 100 km e no Fluence Z.E. menos de 1,5 euros!». «Como primeiro automóvel, o Fluence Z.E. era o ideal para a família». «O que poupávamos ao fim de um ano dava para investir numas férias ainda melhores». «É divertido de conduzir, é super confortável e o silêncio é fantástico». Sim, foram muitos os encómios atribuídos ao Renault Fluence Z.E. durante este período. O modelo já chegou à Rede de Concessionários (na companhia do Kangoo Z.E.) e aguarda pela chegada do Renault Twizy na Primavera e do ZOE mais para o final do ano.

«Moro a menos de 50 quilómetros de Lisboa e posso carregar as baterias em casa. Quanto à instalação eléctrica, apesar de ter 10 anos, assenta num quadro de 25 amperes, pelo que não creio que venha a ter problemas por ligar o Fluence Z.E. a uma tomada normal do interior da casa.

Assumi, portanto, a responsabilidade de fazer os primeiros quilómetros de um dos primeiros Renault Fluence Z.E. que chegaram a Portugal e, no final do primeiro dia, o conta-quilómetros registava qualquer coisa como 120 quilómetros cumpridos, 75% por cento deles em auto-estrada e IC (Itinerário Complementar) e, garanto, não raras vezes em “andamento” de auto-estrada!

E quando, ao final do dia, estacionei o carro em casa, constatei que com um ritmo de utilização normal, o Fluence Z.E. cumpre com facilidade mais de 100 quilómetros diários.

Depois de superada a relativa ansiedade da autonomia, era chegada a hora de colocar as baterias a carregar, embora com algum receio do quadro eléctrico não suportar a ligação. Afinal, não tinha instalado a Wall-Box e o cabo ia ser ligado a uma vulgar tomada de 220v no interior da residência e, associados ao quadro eléctrico, estavam também vários equipamentos. Desde dois frigoríficos combinados, máquinas de lavar loiça e roupa, microondas, forno eléctrico e até um motor de piscina que, em tamanho, é capaz de rivalizar com o do Fluence Z.E. Mas estabelecida a ligação à vulgar tomada doméstica, também esse receio se revelou infundado, com o quadro a nunca acusar qualquer sobrecarga ao longo das cerca de 12 horas em que as baterias estiveram a carregar até acusarem uma carga de 100%.

No fundo, o primeiro dia foi suficiente para terminar com os receios de alguém que não deixava de ter algumas dúvidas quanto à efectiva mais-valia de um automóvel 100% eléctrico. Sim, efectivamente é uma excelente solução para uma família que tenha uma habitação com características que permitam a carga das baterias, mas também para uma empresa. Os custos de utilização são mais baixos e mesmo com o fim do incentivo para a aquisição de veículos eléctricos, o Fluence Z.E. consegue ser mais rentável que um diesel do mesmo segmento. Mas vai chegar a hora de fazer contas para chegar a conclusões mais precisas.

Depois dos 120 quilómetros do primeiro dia, os que se seguiram não foram menos intensos, com uma diferença: foram cumpridos, fundamentalmente, em perímetro urbano e em estrada nacional, nomeadamente na EN10, uma das mais movimentadas do país. Honestamente, nunca senti ansiedade em relação à autonomia, até pelo facto dos valores indicados no painel de instrumentos nunca terem pecado pelo optimismo, antes pelo contrário. Aliás, nunca sofreram grandes oscilações, o que ajuda a uma eficaz e precisa gestão dos recursos – diga-se, carga – da bateria.

Só numa noite é que caí na tentação de desafiar o Fluence Z.E. a acelerar e curvar como se de um Mégane R.S. se tratasse. Pelo menos fiquei a perceber que, em matéria de segurança activa (e passiva idem), tem precisamente as mesmas características e o mesmo comportamento que qualquer automóvel (o Mégane R.S. não pertence a esse universo…), uma vez que o ESP e o ABS foram chamados a intervir em algumas ocasiões. Foi uma noite didáctica em mais dois aspectos: constatei que, para além do sinal sonoro de entrada na reserva de bateria, quando o mostrador deixa de indicar qualquer quilómetro de autonomia, emite um sinal acústico permanente (tipo alarme) que avisa para a necessidade urgente de carregamento, mas que quando essa informação surge, até é possível fazer alguns quilómetros. Mas o melhor é mesmo não facilitar…Por outro lado, durante a semana não deixei de registar como positivo o facto do Fluence Z.E. ser discreto, porque foram poucos os que o imediatamente identificaram, pese embora serem facilmente perceptíveis as diferenças para o modelo equipado com motor térmico… É que para além dos logótipos “Z.E.”, tem um comprimento de 4,75 metros – mais 13 centímetros que a versão normal, tem grelha e jantes específicas, faróis totalmente redesenhados, dois bocais situados nas laterais frontais, entre outros pormenores exteriores diferenciadores.

Mas ainda quanto a diferenças, as crianças foram as primeiras a registar outra: «Este carro não emite poluição não é pai?» «É mesmo amigo do ambiente». Sempre que viajaram no Fluence Z.E. fizeram-no com uma imensa alegria e sempre com uma catadupa de perguntas e de constatações. «É mesmo fixe e não emite ruído nenhum. Quando tiver carta compras-me um destes?». Fiquei com a certeza de que, as próximas gerações, não vão precisar de ser persuadidas a adquirir um veículo zero emissões.

Mas a verdade é que, hoje, a aquisição de um automóvel eléctrico não deixa de ser uma opção racional e é a frieza e a objectividade dos números que o comprova, pelo menos a avaliar pelas contas de “merceeiro” que, naturalmente, fui “obrigado” a fazer.

Numa semana fiz mais de 800 quilómetros aos comandos do Fluence Z.E. . Uma vez que tenho tarifa bi-horária e fiz a maioria dos carregamentos durante a noite e ao fim-de-semana, concluo que, mesmo com o agravamento do preço do kWh, gastei apenas 12 euros para cumprir mais de 800 quilómetros. E quanto teria gasto com um diesel, porque em relação a um gasolina a diferença ainda é mais abissal? Pelo menos 70 euros, com uma média na ordem dos seis litros aos 100. Ou seja, um valor seis vezes superior!

Claro que, no caso do Fluence Z.E., tem de se ter em conta o valor mensal de 82€ para o aluguer da bateria. Sendo assim, se numa semana fiz cerca de 800 quilómetros, num mês teria feito pelo menos 3.200 e, com estes números, objectivamente, os custos de utilização do Fluence Z.E. (recargas e aluguer mensal da bateria) teriam sido de 130€. Já com um diesel do mesmo segmento, os mesmos 3.200 quilómetros teriam tido um custo de pelo menos 280€. E atenção que, pelas minhas contas, quem fizer apenas 40 quilómetros por dia, já poupa em relação a um diesel e já incluindo o valor do aluguer da bateria…

Ou seja, se fosse proprietário de um Fluence Z.E., com o que poupava todos os meses podia perfeitamente, no final do ano, gozar umas belas férias. Até porque para além dos custos de utilização, ainda há que contar com uns bons euros que são ganhos no Imposto Único de Circulação (IUC). Aliás, se o Renault Fluence Z.E. for registado em nome de uma empresa, as vantagens ainda são maiores, porque ao contrário do que acontece com as despesas de combustível, a factura de electricidade não é alvo de tributação autónoma e de outros “devaneios” fiscais.
Mas as vantagens financeiras do Fluence Z.E. não se limitam aos custos de utilização e aos benefícios fiscais. As revisões e manutenções de um automóvel eléctrico são muito mais simples, porque neste caso as tradicionais mudanças de óleo, de filtros e de correias (só para citar alguns exemplos) são operações quase “rupestres”. Segundo a Renault, é provável que o custo das seis primeiras revisões do Fluence Z.E. seja próximo ao de uma única revisão de um equivalente equipado com motor térmico.
Por outro lado, o Fluence Z.E. tem a vantagem de não nos termos de preocupar com a mecânica, porque a partir do momento em que se pagam os 82 euros do aluguer e serviços associados à bateria, esse é sempre um “problema” da Renault. Se a bateria avariar, a Renault substitui-a sem qualquer custo ou agravamento da mensalidade, se porventura ficar “viciada” idem porque a marca tem a responsabilidade de as ter com uma capacidade de carga sempre superior a 75% da sua capacidade inicial.
Em suma, proporciona uma condução tão suave e confortável que chega a ser viciante, é silencioso, tem uma excelente habitabilidade (transportam-se cinco adultos com facilidade), é amigo do ambiente e tem custos de utilização bastante reduzidos e são as contas que falam por si. Ou seja, não faltam argumentos para convencer alguém que ainda não estava convencido.

Mas para uma família que tem necessidade e pode ter duas viaturas, porque não ter um Fluence Z.E. e – se pensar como eu… – um Mégane R.S.? Um Fluence Z.E. como primeira viatura para as deslocações do dia-a-dia (desde as idas para o trabalho, supermercado, levar e buscar as crianças à escola) e um Mégane R.S. para as deslocações maiores… Mas assumo que os 70 kW (equivalente a 95 cavalos) do Fluence Z.E. chegam a impressionar nas deslocações do dia-a-dia, deixando muitos automóveis bem mais potentes simplesmente para trás nos semáforos. O facto dos 226 Nm de binário serem obtidos, de forma instantânea, em muito contribuem para isso, pelo que até se consegue retirar bastante prazer da condução.

E, por fim, mais uma constatação positiva: até em relação ao preço, o Fluence Z.E. é uma aposta inteligente! Afinal, é de longe o automóvel 100% eléctrico mais barato do mercado. Sim, podem argumentar que também é o único que obriga a um pagamento mensal pelo uso das baterias. Mas há uma conta simples que dá que pensar: mesmo a pagar 82 euros por mês durante 10 anos, não se paga a actual diferença de preço para a concorrência do segmento!

O Renault Fluence Z.E. já chegou à Rede de Concessionários, estando a ser comercializado com um preço de 26.600€ (nível de equipamento Expression) e 27.700€ (Dynamique). Agora trace o seu perfil de utilizador, veja se reúne as características que permitem que o Fluence Z.E. o acompanhe nas rotinas do dia-a-dia e faça contas… Atenção que pode ficar surpreendido com o resultado da conta de “merceeiro”!

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